Escrevo com minha caneta tinteiro
e depois não compreendo.
Se não o decifro, por que o escrevo?
Não sei, só sei que nada sei.
Escrevo filosofia. Escrevo imodéstia.
Escrevo exagero. Redundância.
Escrevo natureza, e os cinco sentidos.
Dou-lhe vida: metafísica!
Paradoxo? Tudo se contradiz.
Totalidade - escrevo generalização.
Uma exceção muda essa acepção.
Rimas imprevistas!
Ou planejadas? Sou poeta, fingidor.
Escrevo imaginação, ficção, confusão.
Fabrico realidade. Réplica do concreto.
Torno-o abstrato. Incompreensão.
Escrevo vida, sentimento, recordação.
Lembro-me do que há de vir, intuição.
Caos, desordem, fissão.
Escrevo conflito, limito o infinito.
Irreal, verdadeiro. Inversão?
Último, primeiro. A caneta é a borracha
que apaga o ócio, não por inteiro
mas tenta, ligeiro, minha caneta tinteiro.
M.T.Kodic
"As palavras não nascem amarradas, elas saltam, se beijam, se dissolvem, no céu livre por vezes um desenho, são puras, largas, autênticas, indevassáveis." - Carlos Drummond de Andrade
Wednesday, December 13, 2006
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15 comments:
um poema em como se fazer um poema.
boa escolha de palavras
gostei bastante
bjao =)
parabens um belo site adorei o poema muito profundo isso aqui tem futuro
Nossa um tanto Carlos Drummond, nunca vi alguem da sua idade escrever tao bem! Parabens
marilia citando socrates! bonito,
bonito mesmo seu poema! bjo*
um poema muito bonito
adorei
M.T Kodic escreve mto bem
bjaum
=*
o anônimo sou eu
"A caneta é a borracha
que apaga o ócio, não por inteiro
mas tenta.."
irado...
OOOw Muito bom...os dois textos, prosa e versos!!! huahuahua ceis saum bons viu... huahuau abraços
O poema ficou muito bom, com contexto legal e palavras aparecendo dando um sentido único.. parabens... ah e eu gostei mais da ultima estrofe!
nossa
genia aos 18!
essa ultima parte ta do caralho
ae ma, to com saudades ve se aparece!
e parabens os textos aqui sao fudidos
bjasso
Juro-te que ao ler o poema percebi duas influências. Uma pude ter a certeza junto ao comentário final (texto do Drummond) a outra ainda não estou seguro. Mas se tivesse que apostar, apostaria em Alberto Caeiro, estou certo Marília?
É, Marília.. deu prá ver que você manja.. achei um poema bem equilibrado, no sentido de você ter conseguido lapidar muito bem o que pensava. Muito bem calculado e meticuloso como Drummond mesmo..
A última estrofe também me foi bem enigmática..
Acho que me faltou maturidade para entender melhor, mas isso só acontece quando a poesia é boa.. deu prá sentir que não consegui entender tudo, mas depois eu pergunto..
Uma boa aliada pro movimento :]
Parabéns!
Beijoss
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